quarta-feira, abril 26, 2006

O jardim dos amores...


E fez-se o dia!
Não havia mais chuva ou névoa.
Tudo parecia ter de novo a cor da infância
Quem lhe dera essa capacidade de trazer a alegria?
Quem lhe conferira o poder de destruir qualquer raciocínio que não conspirasse inteiramente a seu favor ?
O fato é que o mundo ao seu redor parecia não existir antes dele, nem ela própria parecia existir...
Se ele vinha ela ria, se ele não vinha, parecia dilacerar-lhe a carne. E ela nunca sabia quando ele viria...
Vivia a espera constante dos amores urgentes
O cheiro e o gosto dele impregnavam-se, de tal forma, que dias após ainda era capaz de sentí-los. Na alma, mais ainda que nos lençois...
Sentia falta daquele espaço entre o ombro e o peito onde ela reclinava a cabeça e recebia alento para todas as suas dores, inclusive as que não conhecia ou confessava
Chorava pelos que não tinham esperança, pelos que a felicidade jamais alcançou e em seus braços sentia-se protegida da maldade desse mundo sem explicação
Mas era do seu olhar que mais necessitava, não de qualquer olhar, mas um determinado, que ela conhecia muito bem...
O olhar de quando a aflição do corpo se acalma e o coração descansa na tranquilidade de sentir-se amado, o olhar que a fazia esquecer que a hora da despedida chegaria - o ùnico olhar que lhe dava paz...
Não imaginava a vida longe dele, tampouco com sua presença constante, apenas continuava esperando...