
A menina que mora em mim, me prega peças.
A menina que mora em mim, nunca desiste de olhar, ela ainda espera por amor.
Ah, essa menina que mora em mim! Queria entendê-la, mas não entendo.
Queria ajudá-la a crescer, mas ela não cresce.
Menina bagunceira. Menina manhosa.
Menina tímida. Menina faceira.
Ela se deixa levar por falsos amores. Ela se deixa levar pelas ilusões.
Qualquer brilho no olhar a encanta. Qualquer pouco sentimento a atrai. Ainda que pouco, é sentimento... É afeto. É carinho.
Que de tal forma, ao menos verdadeiro, jamais provou.
Desconhece para si o querer bem de alguém, que lhe seja amável e bom.
Mas que lhe seja, antes de tudo leal.
Ah, essa menina me destrói e me leva as lágrimas por vê-la, quase sempre desamparada pelos seus frágeis sonhos de ser bem quista.
De ter alguém que lhe afague o coração com palavras doces e leais.
De ter alguém que cuide de si, como um dia cuidou de outros.
Não que seu cuidado tenha sido muito. Não que tenham, suas atitudes, sido de tanta candura a ponto de serem recompensadas. É que deseja para si o que é bom, como afinal sonham todos, embora neguem e se tornem frios e mentirosos demais para admitir.
Essa menina não consegue se fazer de forte quando aqueles para quem olha com tanto carinho, se quer tem consideração em suas palavras, e vão simplesmente agindo por agir; sem pensar ou sem se interessar que aquele que será tocado por suas palavras tem um coração, no qual pode morar uma criança, que simplesmente espera ter o que as suas palavras, ditas por dizer, prometem.
Essa menina. Ah menina teimosa! Ainda que a avisem, insiste em brincar com o meu coração e abrir suas portas por onde deixa a luz dos seus (falsos) amores passar...
Com as luzes encantadoras ela brinca e se diverte, e enche o meu coração...
Ela já sabe, mas não aceita que, exatamente como das outras vezes, as “luzes” não tem a intenção de permanecer ou de iluminá-la, só querem habitar outros lugares, alimentar outros sonhos, mas elas não foram criadas com força para serem duradouras ou para fazerem os sonhos que alimenta serem reais. São assim... simples luzes. Simples alegria fulgaz, que num minuto enchem os olhos da menina de felicidade, e no seguinte enchem os meus de tristeza e frustração.