quinta-feira, maio 31, 2007

Irreversível


Esses dias ouvi uma música no rádio,aquela do CPM22,na qual o carinha fala que quando gostava de alguém esse gostar é IRREVERSÍVEL. Desde então a palavra não sai da minha cabeça. De vez em quando sofro mesmo destas esquizofrenias. Só lembro desta parte da irreversibilidade do gostar. Acho que sou exatamente assim: uma vez que eu goste de alguém, não consigo mais desgostar. Em mim não cabem os grandes e incuráveis ressentimentos e eu sou quase a personificação daquele dito popular que afirma que raiva e massa de torta são duas coisas que amolecem depois de dois dias. Isso é bom. As coisas boas são sempre lembranças mais fortes, mais claras e mais presentes que as más. Estas, quando existem, estão sempre desbotadas, desfocadas, como se eu as olhasse sem lentes, com meus olhos míopes de domingo. É certo que o gostar muda em mim, com o tempo, com as circunstâncias da vida, e com o rumo que as coisas tomam. Isso é inevitável, afinal. Mas nunca chega a virar um desgostar. Meu coração libriano-errante-domquixotesco tem arquivos muito bem organizados e uma vez que você passe por ele seu registro estará guardado. Meu gostar é IRREVERSÍVEL como o da música.